Mostrando postagens com marcador Clarissa Corrêa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clarissa Corrêa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Cuida bem de mim



Não acredito que alguém consiga ser plenamente feliz sozinho. A gente se distrai muito até encontrar o amor de verdade. Desculpe, mas sou piegas assim: acredito em amor de verdade. Você pode encontrar muita gente pelo caminho. Muitas enganações, muitas promessas, muitos beijos, muitos corpos e corações. Mas a gente sente quando ele, o amor, chega pra ficar.

Você sente pela sensação de conforto que ele oferece. Pela calma. Pela paz. Por ajeitar tudo lá dentro do peito. É que as paixões nos bagunçam. Nos desarrumam. O amor arruma tudo. O amor faz uma faxina emocional. O amor deixa tudo limpo, novo, claro. A paixão dá uma sensação de poder, faz o chão sacudir, seu corpo balançar. O amor traz segurança, tranquilidade. O amor é sereno.

Durante muito tempo eu quis sentir aqueles efeitos e reflexos de paixões. Elas arrebentam, arrebatam, atormentam. O amor, não. O amor tem o mesmo efeito de um abraço bem longo e apertado. Ele te deixa com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. É que amar é ter os pés no chão. Olhar para a frente junto com o outro.

Amor é realidade, dia a dia, dificuldade. Amar é vencer uma batalha todo santo dia. Porque não é fácil conviver com alguém. Não é fácil dizer olha, te entrego meu coração, meu sentimento, minha emoção. Olha, cuida bem de mim. Cuida do que eu sinto. A gente tem que baixar a guarda, engolir o orgulho, se deixar levar. Se perder para se encontrar. O amor é um encontro. De você com você mesmo. Amar é se ver nos olhos do outro. Mesmo que ele esteja com os olhos fechados.

Acredito que existem amores saudáveis e amores prejudiciais. Amor saudável é aquele que une, junta, agrega. Amor prejudicial é aquele maluco, possessivo, que separa, que isola. É muito ruim quando seus amigos ou família não gostam da pessoa que você escolheu para viver junto. Amar é querer reunir todo mundo que mora no seu coração. Ainda bem que eu consegui. E consigo todo dia.

Por Clarissa Corrêa 


Proteção, liberdade e outras coisas



Talvez eu ande mais velha e mais chata. Não tolero mais coisas que tolerava antes. Hoje em dia conforto para mim é fundamental. Isso vale para tudo. Tenho que dormir em cama boa. E olha que já dormi em colchão de ar. Tenho que ter um banho bom. E olha que já tomei muito banho frio nessa vida. Tenho que beber vinho de qualidade. E olha que já bebi vinho barato no meio da rua. Tenho que sentir meus pés confortáveis. E olha que já usei muito scarpin de bico fino e salto 10cm. Hoje gosto de me sentir livre. De estar bem. E de não me sentir apertada dentro de mim.

Não condeno quem gosta de acampar, gastar rios de dinheiro em roupas carésimas, tomar bebida de qualidade duvidosa. Cada um faz suas próprias escolhas e vive como quer. Só penso o seguinte: me deixa quietinha com minhas vontades. Se não temos o mesmo gosto podemos ser amigos. Só entenda que dessa linha para cá tem a minha vida e daquela linha para lá tem a sua. Acho que assim todo mundo fica bem. Inclusive, contribuímos para um futuro melhor. Respeito é palavra fundamental no meu dicionário (e no seu?).

Acho que estou mais velha e mais chata, sim. Vejo pelas marquinhas que se mudaram para a minha testa. Pelas coisas que não mais suporto. Não gosto de lugar barulhento e apertado. Não gosto de assistir um show onde desconhecidos esbarram em mim. Não gosto que gente estranha me cutuque. Não gosto de rir feito uma hiena quando o papo é sério. Tem gente que não cresceu. Sempre achei que tem a hora de brincar e a hora de falar que nem adulto.

Vejo que muitos levam a vida na gandaia. E tudo bem. Se você gosta de farra day after day, night after night tudo bem. Só não me incomode por gostar de ficar com minha casa, meus livros, meus vinhos, minhas letras. Não sou da noite: prefiro o dia. Não sou da pista de dança: prefiro minha cama e meus travesseiros fofos. Tem gente que ri de tudo, até de desgraça. Eu não consigo. Tenho meu lado criançola. Brinco, faço birra, faço manha. E tenho meu lado adulto, responsável, que encara quando tem que encarar, que não se esconde quando o bicho pega.

Passei daquela fase da fofoquinha, em que o legal era se reunir em um boteco de quinta categoria para falar da paixonite da vez (e a gente bebe e chora e ri e bebe mais até fechar o boteco). E da roupa da Mariana. E da cor da unha da Claudiana. E da voz esganiçada da Franciscana. Acho que toda mulher passa por isso um dia. Um dia, eu disse. Não a vida inteira. Eu fazia isso quando tinha 18 anos, era uma retardada, não sabia direito o que era amizade e o que queria pra mim. Hoje eu sei. Hoje acho ridículo grupinho que se junta para falar de A, B ou C. Quem fala de todo mundo um dia fala de você. Pode apostar, é assim mesmo que funciona. E tem gente que faz disso o seu esporte. Não gosto, mas fico na minha.

Minha mãe sempre mandou tomar cuidado com as pessoas que se fazem de boazinhas. Essas são as piores. Quem é filho da mãe escancarado nem oferece tanto perigo, afinal, a gente sabe com quem está lidando. O problema são aquelas pessoas que se fazem de legais e no fundo não valem dez centavos. Não gosto de gente que pisa em cima dos outros ou tenta se dar bem aprontando todas. Por isso, me recolho. Sou tímida. Um montão de gente ri quando falo isso, mas sou tí-mi-da. Só quem me conhece a fundo sabe. É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.

Clarissa Corrêa

sábado, 18 de maio de 2013

Errar e acertar faz parte


Acho que tentar é importante. Errar e acertar faz parte do processo de autoconhecimento e aprendizado. Muitas vezes a gente nem valoriza o que vem fácil. Mas o que é suado, o que dá trabalho, o que tira o sono e depois é celebrado tem um gostinho muito melhor. O sabor é outro, a degustação é mais prazerosa.

Voltar no tempo



Fiquei pensando: e se a gente pudesse voltar no tempo e refazer as coisas? Não sou o tipo de gente que levanta a bandeira do "a gente só deve se arrepender do que não fez". Tem muita coisa que eu fiz e me arrependo, sim. Já fiz muita cagada nesta vida. De algumas coisas, sinceramente, me envergonho. De outras, me perdoo.

Quem te perguntou?


Fico incrivelmente atordoada com o número de gente que pensa que ser conselheiro e palpiteiro é bacana. Vou te contar um segredo: muitas vezes dizer o que a gente acha soa extremamente indelicado e inconveniente. Se estou te contando algo, apenas escute. Entenda que muitas vezes o outro só quer desabafar. Ele não quer ser julgado, nem que alguém apresente uma cartela de soluções.

Faz parte da vida


A vida nos prega mesmo peças. Até ontem você estava aqui, tão perto, tão por dentro das coisas, tão bem. E eu não sei direito em que momento tudo mudou, só sei que não mais nos reconhecemos, nos olhamos e já não nos enxergamos. Sinto falta do que fomos.